11 de março de 2005

A COISA ÚTIL

Ouço os políticos politicamente correctos a dizerem correctamente que isto da escola tem de mudar. A universidade deve formar operários. No sentido da utilidade IMEDIATA dos conteúdos. Ora, eu já partilhei dessa ideia, não há muito. Mas, quando olho à volta e vejo todas as pessoas cujo trabalho admiro e que se formaram Coisas Muito Sérias E Porque Não Bem Pagas... e que trocaram tudo isso por uma nova profissão, começo a discordar. O problema é que raramente se sabe não só que se quer fazer, como se aquilo que gostaríamos é para nós. Como uma roupa porreira... mas que nos fica mal. A nós.
Acredito que a escola deve ensinar o que interessa aprender. Não deve servir os saberzinhos dos doutores, demasiado preguiçosos para se debruçarem sobre os conteúdos que ministram e os adequarem aos alunos. Não deve ser um "Façam como eu digo, mas não façam como eu faço". Deve sim, dotar os alunos de instrumentos básicos para que constituam os seus próprios saberes. Ensinar-lhes o valor da coragem e a nobreza do erro.
E, crime de lesa-magestade em Portugal, desenvolver-lhes o sentido crítico. Ensinar-lhes que o que "eu estou a dizer neste momento, pode ser verdade, ou apenas a maneira como eu, e outros como eu, pensam, agora".

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